Não, não sou sado-masoquista. Mas estou muito satisfeita de, nesse momento, ter meu corpo cheio de pontos levemente doloridos: é o resultado de uma maravilhosa sessão de localizada realizada na quarta. E hoje tem mais, pessoal.

Sei que estou sumida, mas tá faltando um tempinho à toa no bloco de notas. Como tabém tá faltando um tempinho pra beber com as amigas, ir ao cinema sozinha ou mesmo fazer uma sessão de dvds com o namorado.

Este ano é um dos mais altruistas e, até o presente momento, um dos mais dificeis da minha vida: mas o abençôo a cada dia, porque apesar de suas dificuldades, do imenso peso que às vezes parece destruir meus ombros, do gosto de impotência que me deixa na boca… Apesar disso tudo, ele não é apenas uma prova de fogo, de pura resistência física ou emocinal. A situação atual ensinou-me a ser forte; ensinou-me a a lutar, guerrear, a compreender, a ser mais suave com quem realmente amamos.

Nunca foi me cobrado tanta responsabilidade, nunca foi me cobrado tanta dependência. No entanto, prosseguimos, esperançosos de que isso logo se resolva.
Com alguma sorte consegui retornar pra localizada, voltar a cuidar um pouco de mim; essa semana além de extreme-hard-core foi meio enrolada por conta disso, mas insisto porque se tenho tempo e obrigação com outras coisas, necessito também tempo e obrigação para cuidar do meu corpo.

Procuro não perder o bom humor que alguns acham indestrutível, procuro fazer piada com os obstáculos e por mais que seja dificil, juro que tento não ter preguiça-social nos fins de semana. Assim como juro não esganar ninguém nos dias de fúria na TPM.

Muitas mulheres reclamam, protelam ou mesmo passam o pepino pra alguém próximo (pai, namorado, marido), fazem promessa e até reza brava quando o assunto é organização pessoal.

E nem digo de horários, mas sim de documentos e finanças. Fato é que a grande maioria, seja por falta de informação, hábito ou mesmo pura acomodação passam a bola adiante. Mas, a realidade agora é outra e não dá mais pra passar a responsabilidade da sua vida pra uma outra pessoa, pois exemplos negativos estão espalhados por todos os cantos.

Conheço muitas e muitas mulheres que por algum motivo já citado, entregam essa responsabilidade nas mãos do conjugue somente para, tempos depois, descobrirem que o dito cujo era tão desorganizado quanto elas e que não sabe nem onde está o próprio certificado de reservista, tanto mais a escritura da casa!

Eu amo, amo, amo organizar coisas. Desde um guarda-roupas até o armário da cozinha. Passa, claro, por arquivos vivos e mortos de documentos pessoais (contas, documentações e etc), pastas do computador, álbuns de mp3. Orçamentos não ficam de fora, com planilhas de: a pagar, a receber, wishlist…

É verdade que pode parecer falta do que fazer, mas com uma organização nível ‘básico’, já dá pra ter muito tempo livre para outras tarefas; então amiga, nunca mais desperdice o próximo domingo de chuva reclamando do mau tempo e dizendo que ’só serve pra dormir’ e outras preguicites crônicas, quando, na verdade, se tem uma ótima oportunidade para colocar seus documentos e pendências de arquivos em dia.

Se você for do tipo ‘gézuis e genário nem f***ndo eu consigo isso’, pense na economia de tempo da próxima vez que tiver de achar algum contrato de aluguel ou comprovante de pagamento de cartão; coloque aquela seleção MPB tão go-to-sa e relaxante que salva qualquer tarefa tediosa e mergulhe de cabeça, sem medo.

Talvez, na primeira vez, você fique desesperada com a montanha de papelada inútil e tranqueiras que se escondem nos armários por aí; com as roupas ‘velhas’ não usadas e com etiquetas ainda da loja, perdidas no fundo de alguma gaveta e com as quinquilharias sem-fim (e sequer explicação!) que ‘brotaram’ quase que por milagre pelas parteleiras do armário da cozinha. Não tenha medo e jogue fora e separe o que prestar pra doar pro bazar de caridade da igreja/centro espírita/escola mais próximo. 

Mas depois de tudo ‘posto em ordem’, você ficará admirada de como sua vida ‘burocrática’ tornou-se viável e para mantê-la assim, basta dedicar alguns minutinhos semanais nesse ‘exercício’. Se ainda assim, for dificil para você encarar a ‘manutenção’, reserve um horário em algum dia da semana. Transforme num hábito e com certeza suas finanças agradecerão pela higiene e carinho.

Dicas:

#1. Aquelas pastas organizadoras com muitas abas internas e gavetas organizadoras salvam até o mais desorganizado dos seres!

#2. As gavetas organizadoras cabem em qualquer cantinho e com certeza acomodarão muito bem pastas organizadoras, pastas avulsas e envelopes, além de canetas, grampeadores e clips (itens básicos do ‘enxoval’).

#3. Se está dificil começar, crie assuntos e vá separando os documentos confome for encontrando.
Exemplo: Separe as pilhas por: documentos pessoais, documentos de imóveis, documentos de móveis, certificados de cursos, comprovantes de contas pagas, contratos, documentos de bancos (extratos, contratos etc).
Depois separe por tipo: documentos de imóveis, faça a pasta da casa A e da casa B, do carro 1 e do carro 2, dos bancos crie uma pasta/aba para cada banco… As contas antigas, separe por ano e depois por mês. Separe em envelopes, escrevendo no lado de fora o mês/ano das contas que estão dentro; junte todos os envelopes (12, né??) dentro de uma pastinha que vc vai etiquetar com o ano/assunto.

#4. Agora que você já deu jeito na papelada acumulada, basta um pouco de boa vontade para manter sua ‘higiene’; uma agenda pessoal nem é tão cara, e se você realmente gostar e se animar ou mesmo for uma tecnocrata que se sentirá mais à vontade com teclas, manda ver no palmtop (um so-nho de consumo antigo…), tudo é válido por mais praticidade e tempo livre em nosso já escasso ‘tempo livre’.

Afinal, não adianta você bater no peito e se declarar independente, se sequer sabe onde colocou o comprovante da última fatura do tão amado cartão de crédito ou mesmo quanto de imposto de renda pagou no último ano.

ouvindo: Velha roupa colorida, Elis Regina.

Sempre gostei de ser livre: sair sem me preocupar com horário de voltar, não ter que dar satisfação dos meus atos, prestar conta dos meus gastos, sem resenhar as leituras (as que já li e reli e os que vou lendo de ‘cadinho’, quase em doses homeopáticas), explicar as músicas, acatar os gostos de outro ou mesmo justificar amizades.

Sou comunicativa por natureza, sinto essa necessidade de ‘falar-transmitir-comunicar’ e muitas vezes repeti o erro quase bestial de falar demais, de querer impor informações, sobrepondo aquilo que a maioria das pessoas institui como verdade máxima; seria através do choque que chegaria mudança? …

A cada dia que passa, vou aprendendo a domar essa impulsividade, esse senso-crítico; informo, mas procuro não mais chocar e procuro calar, mas sem omitir. Afinal, com cuidado e sabedoria se vai mais longe do que com a impetuosidade do gênio.

A maioria das pessoas só quer falar de si (sobretudo de seus problemas) ou dos outros (exaltando erros e defeitos de terceiros) e se esquecem que o próximo também precisa de silêncio para exprimir seus sentimentos, para comunicar seus sonhos. Se esquecem que cada um tem sua própria vida, cheia de desafios e dramas (felizes ou não) e que se cada um dedicasse seu precioso tempo com sua própria vida – no lugar de se preocupar com a dos outros – teria, com certeza, uma vida infinitamente mais feliz.

Que eu sempre fui ciumenta, é de domínio quase-universal; aborrecia-me com as histórias do passado, com possíveis comparações, com fantasmas rondantes, com saídas não avisadas e, embora amante do respeito e da confiança (e por mais que eu tivesse plena consciência dessas características no parceiro) saía do sério com essas pequenas coisas.
(seria ciúmes ou orgulho ferido? talvez um pouco de ambos)

Então esse fim de semana caiu uma ficha importantíssima! De que adianta ser linda e segura, auto-suficiente e, num momento de fraqueza, sufocar o outro? 

Essa é uma meta que pretendo cumprir, um degrau de ‘elevação espiritual/emocional’ que pretendo alcançar! O Amor não precisa ser complicado e sofrido; ele deve ser leve e intenso, lindo.

E é um relacionamento assim que preciso: feliz, com sentimentos intensos e muita beleza. E apesar das dificuldades que todos os mortais enfrentam, eu já tenho um namoro assim.

Pra que complicar com essas negras nuvens de dúvida e insegurança?

Em pleno 2008, as pessoas estão juntas porque se amam, se desejam, se querem bem. Trair além de inconcebível, deixou de ser vantagem pra virar burrice (finalmente, nossa sociedade está enxergando isso).

Afinal, ninguém quer ser meio feliz e é muito cansativo ter uma vida dupla.

E vamos prosseguindo, imersos em nossos umbigos, com ouvidos atentos e olhos perdidos nos sonhos; com passos firmes e, porque não, rebolantes, tornarmo-nos pessoas melhores do que já somos.

ouvindo: Problematiqué, Muse.

1#.

Essa semana fiquei extremamente feliz!

Sabe aquela pessoa super bacana que você conhece no trabalho, faz amizade, maaas, por causa dos acasos da vida, seus caminhos não se cruzam mais?

E você vira-e-mexe pensa naquela pessoa, se pergunta como ela estará e ao mesmo tempo deseja tudo-de-bom em seu caminho?

Pois é. Isabel é uma delas. Ela era advogada forense no escritório onde foi meu primeiro emprego. Uma morena baixinha, de cabelão à la ‘carmem sandiego’, voz calminha e roupas discretas, além de muita bondade e sensibilidade. E sobretudo, um senso de justiça maravilhoso e muita determinação, característica básica de toda mulher-exemplo.

Lembro que pouco antes de eu sair do emprego, ela foi trabalhar para um outro escritório e, mesmo com e-mails e telefonemas, acabamos perdendo contato.

O tempo passou e nossa, mais de três anos depois, eu caminhava atrasada na Presidente Vargas, a figura baixinha e discreta (agora com um plus: charmosos óculos de grau!), com o eterno cabelón vem andando na minha direção! Meus olhos se encheram de lágrimas (que não verteram pro rímel não estragar a make básica) e nos abraçamos e tivemos uma daquelas conversas de três minutos, onde, em três minutos, se tem que resumir 3 décadas!

Trocamos telefones, mas eu adorei reencontra-la, adorei saber que ela está bem, agora trabalhando na Prefeitura de Niterói e prestando acessoria para um escritório aqui no Rio, enfim, conquistou o espaço que ela tanto desejava. E conquistará muito mais, claro!
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2#.

Ontem eu comprei um pincel de blush, da Prada. (ok, não A Prada, a outra Prada) Ele é muito bom, cerdas suaves e espalha a cor muito bem, enquanto acaricia o rosto… uma delícia!
E como estou numa fase quase que caindo-de-amores pelo rosa, comprei um blush em pó rosado (o meu outro queridinho rosa é em bastão), e os esmaltes: malícia (risqué), glamour pink e tutti-frutti (ambos colorama), já que quando minhas sobrinhas vieram nos visitar, se apaixonaram tanto pelo meu tutti-frutti que não pude deixar de lhes dar!

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3#.

Às vezes caio numa carência enorme; acontece quando você quase não vê o namorado (agendas tumultuadas, distância física, etc) e, quando finalmente vê, há tantos compromissos a cumprir – geralmente com algum terceiro envolvido – ou mesmo uma impossibilidade de se curtir a dois… Um dos meus maiores desejos na vida a dois é ter mais tempo livre pra curtir com ele.

Nem preciso dizer que, quando surge a oportunidade, ficamos tão embevecidos que a sensação é que o tempo pára, apenas para iniciar uma corrida frenética nos relógios! Como pode ser isso??
Seja caminhar despreocupadamente um fim de tarde qualquer na Quinta da Boa Vista ou caminhar a noite no Centro do Rio, o prazer é o mesmo… é a mesma sensação de calor e paz…   aff.

Tenho que descer das nuvens, someone have to work here.

Quando era menina, gostava de ‘imaginar’ a vida. Seus motivos; suas razões para ser. Isto era complicado, nem todos os adultos entendiam meu modo ‘ensimesmado’, minhas perguntas dificeis, minha solidão. Eu estava junto com as outras crianças, mas não era igual à elas – e nem queria ser, por mais que pedissem e insistissem. Nunca fui de rir fácil. Não porque fosse triste, mas porque não conseguia debochar e me fortalecer na fraqueza do outro. Se debochassem de alguém por ser gordo, eu me imaginava no lugar daquela pessoa, sofrendo com aqueles comentários cruéis das outras crianças; e me sentia incapaz de participar daquilo (e continuo boba assim até hoje).

Lembro de uma tarde, no C.A, a professorinha nos mandou pintar e recortar partes do corpo humano, que ela nos entregara em folhas ofício. No fim, essas partes seriam coladas e as meninas teriam uma bonequinha de papel de tamanho natural (*.*) e os meninos, bonequinhos (estranhamente, não lembro de nenhum menino reclamar que queria uma bonequinha! ops, mas eu sou de 85, a geração emo foi concebida mais um pouco à frente!).
Bem, eu me distraí pintando e, quando vi, a professorinha me apressava porque a maioria das crianças estava já terminando de recortar ou iniciando as colagens e eu estava lá, terminando de pintar ainda (perfeccionista?? imagina!). Então comecei a recortar e logo a colar e, entre uma coisa e outra, o que seria o ‘pescoço’ da boneca se perdeu. Mas eu não reparei e colei a cabeça no tórax. Óoobviooo que ficou desengonçada e destoou das outras bonecas; e começaram a zombar da minha boneca-colagem, porque ela não tinha pescoço. Eu lembro de ficar olhando pra ela, sem conseguir sentir pena, porque afinal não entendia porque um pescoço havia se tornado tão-tão importante assim. Ela continuava sendo minha, eu havia escrito seu nome em um de seus braços (mesmo a professorinha dizendo que tinhamos que escrever nosso nome em um dos braços), tinha-lhe dado as cores de minha imaginação às suas roupas, cabelos e olhos, e mal podia esperar até leva-la pra casa e compartilhar com ela todos os gibis e livretos de história e os vhs de clips animados by disney para músicas clássicas. Imaginava-lhe sentindo a mesma alegria-comoção em assistir pela milésima vez a Branca de Neve e os Sete Anões, a valsa final magnífica em Bela Adormecida (o príncipe mais belo de todas as princesas, o mais gentil e o único que realmente sabia cantar e dançar! que partidão, o tal Príncipe Philipe) e perdendo o ar de tanto rir com as confusões do Pateta.

Nem de longe fui fisica ou mentalmente parecida com meus irmãos mais velhos: magros, altos, de cabelos claros e tez dourada, muitos amigos, risadas, castigos, punições e confusões.
Foi inevitável para minha mãe não comparar-me com eles, foi inevitável o sentimento de incompatibilidade familiar. Eu era baixa, gordinha, de uma palidez doentia, cabelos escuros, quieta, arredia. No lugar de amigos, eu tinha livros, ao invés de risadas, jogos solitários, ao invés de castigo eu tive o mérito de jamais ter levado um único tapa ou mesmo advertência no caderno. No lugar das punições, tive longas tardes com os olhos perdidos em algum lugar desconhecido e substituindo as confusões de adolescente, eu tive discussões homéricas, com rasgos de rebeldia selvática. Não me faltava o respeito, mas me faltava a capacidade de abaixar a cabeça e simplesmente aceitar.

Era precoce demais. Os livros haviam sido os companheiros mais velhos de aventuras e com eles eu aprendera que só é feliz quem se determina a escrever o seu destino e a cumprir o que se propôs. Eu poderia conversar e discutir quase todos os assuntos com uma pessoa adulta, sem cair na histeria infantil a que a grande maioria dos pré-adolescentes sucumbe após ver seus argumentos – antes sólidas torres – virarem pó ao chão. Ao contrário, aprendera com minhas tardes solitárias a me aferrar ainda mais à razão e aperfeiçoar meus argumentos, melhora-los e defende-los com unhas e dentes.
(e tinha uma timidez que chegava a me tornar arredia!)

Desde cedo, fui de poucas amizades. Poucas porém profundas e verdadeiras. Sou assim até hoje e não tenho do que me queixar; quanto à família, já superei a ‘rejeição’ de meus irmãos, o complexo de patinho feio e até as cruéis comparações familiares. Já que a família paterna me olhava perplexa e fazia comentários sobre como eu me parecia cada vez mais com minha mãe e a família materna fazia justamente o contrário (quase como numa partida de pingue-pongue) eu decidi que não me pareceria com nenhum deles.

Eu seria única e especial, a meu próprio modo, com minhas próprias regras, ouvindo minhas próprias músicas, seguindo meu próprio jeito de vestir (moda? que ser isso??), defendendo minhas próprias opiniões e sem me importar com o que os outros achavam.
No começo, foi dificil. ‘Ovelha negra’ era um adjetivo por demais positivo perto dos que foram usados. Mas depois de um tempo, eu conseguia ignorar solenemente. Essa coisa de melhor nem pior nunca me apeteceu; as fúteis competições cor-de-rosa não me turvaram as intenções.

Agora venço a timidez aos poucos. Ao invés de escrever na agenda, abro o bloco de notas. E me cobro postar isso. Que tipo de jornalista serei, se continuar com essa vergonha inconfessável dos outros lerem os meus textos?? Tenho que me corrigir e que seja logo. E afinal, é mais fácil o exercício de escrever/desabafar em um blog do que guardar tudo que se tem na mente pra se escrever mais tarde, na agenda.

Beeijoos e que neste fim de mês, todos consigam vencer suas limitações. Afinal, quem foi mesmo que disse que o céu era o limite? (e essa afirmação deve ter sido de antes da corrida espacial, pelo jeito!)

Não existe limite para aqueles que sonham. E que ousam transformar seus sonhos em felicidade, ops! realidade.

ouvindo: Auf Achse, Franz Ferdinand.

olá crianças.

Já estamos às vésperas do fim de semana e, para vocês verem como eu sou boazinha, vou colocar aqui o link pra download do novo cd da madonna, o Hard Candy.

No meio das minhas infinitas tarefas de fim-de-semana, é quase que obrigatório eu arrumar um tempinho pra ouvir esse cd.

beeeijoooos e não se comportem.

Por que tantas pessoas sentem medo de viver?

Ou mesmo só passam pela vida, sem saber qual o sabor de uma verdadeira gargalhada, o constrangimento de um bom ‘mico’, o quase-morrer de um orgasmo, a tristeza sem-fim de uma bela fossa ou mesmo a beleza que há num sopro de vento.

A grande maioria só reclama. Acomodaram-se em reclamar. Vivemos no talvez único país que teve sua independência concedida pelo colonizador e não conquistada. Em que as minorias são massacradas até hoje. Experimenta ser homossexual, ser negro, judeu ou mesmo mulher (basta ser uma mulher consciente dos seus direitos e reinvindica-los para ser recriminada como ’sufragista’, ’subversiva’ e coisitas a mais).

Experimenta ser mulher e ser inteligente, culta, saber escolher o blush ideal pro seu tom de pele e não fazer questão de ter uma bunda grotesca ou peitos pavorosos (do tipo que só de olhar você já não consegue respirar), e você vai saber do que estou falando.

Creio que a grande maioria das mulheres sabe bem o que é isso.

Você só ‘ganha’ o respeito se for uma dessas figuras grotescas, do tipo que confundem o c* com as têmporas, como diria Amaranta Buendía.

Dignidade já!

Nossas ancestrais não foram recriminadas, perseguidas, torturadas, presas e relegadas ao medíocre e ínfimo patamar de ‘procriadora’, para que, no fim de tantas lutas, quando por fim a mulher consegue um espaço mesmo que mínimo, um respeito mesmo que duvidoso, tantas e tantas vendessem a tão necessária dignidade comendo solas de sapato, catando sabonete em banheira ou mesmo ‘posando’ de ‘gostosa’ entrevistando gringo semi-nua e acreditando que está abafando, tudo sendo válido desde que elas apareçam na tevê ou consigam uma capa de revista masculina.

Sem dignidade, tanto mais orgulho.

Vamos fazer valer nossa capacidade de tolerar a dor nove vezes mais que os homens, vamos nos orgulhar de ser o que somos  e dar valor ao que realmente interessa: nossa inteligência, capacidade e bem-estar. Vamos conscientizar nosso próximo, nossas filhas, sobrinhas, netas. Não é na acomodação da reclamação sem fim que mudaremos algo; é através da conscientização.

E isso não é apenas para as mulheres, mas sim, para qualquer pessoa que seja injustiçada ou preterida por sua opinião, crença, origem ou opinião sexual.

Conscientizem-se dos seus direitos.  Reclame, argumente. Reinvindique.

Descubra o que o torna infeliz e determine-se a mudar isso. Permita-se sonhar. Permita-se viver.
Corra atrás dos seus desejos. Pinte uma parede, leia um livro ou escreva um poema.

Permita-se respirar livremente, sem a pressão do relógio ou das convenções. Tire um dia de folga para si, seja para caminhar ou mesmo dormir ou passar preguiçosamente a tarde na rede.

O mundo não vai entrar em colapso se você se valorizar e se permitir um pouco mais de prazer em sua vida.
Ao contrário, você vai ver como será mais prazeroso viver e ficará com as baterias carregadas mais tempo, para aguentar o tranco e continuar a ser um ser-humano pensante no meio dessa massa ululante que nada faz para se ajudar.

ouvindo: Declare Independence, Björk.

então que bateu saudades.

 

não de voltar a escrever – porque isso nunca deixei – mas de voltar a publicar. e num súbito arroubo de coragem, aí está, este blog, como que renascido entre os mortos, não longe de nunca ter vivido.

o eterno vazio das palavras que nos erguem a supremacia do Silêncio.